Uma família de Canoinhas viveu momentos de tensão nos últimos dias ao procurar a rede pública de saúde para atender uma adolescente de 15 anos que apresentava fortes dores na barriga.

De acordo com o tio da menina, Nilson Padilha, a busca por ajuda começou quando a sobrinha passou a apresentar fortes crises de dores abdominais. Ao ser levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Canoinhas, a jovem recebeu medicação e foi liberada sob a suspeita de que os sintomas seriam apenas gases. Diante da persistência das dores, a família optou por buscar um médico gastroenterologista na rede particular. O especialista, após avaliação, emitiu uma carta recomendando a internação imediata e sugerindo exames específicos para o diagnóstico.

A família relata que tentou buscar auxílio na UPA de Três Barras, onde uma médica chegou a questionar por que a recomendação de internação não havia sido seguida anteriormente. No entanto, por questões de domicílio, a paciente precisou retornar à unidade de Canoinhas. Nesta segunda passagem pela UPA local, a jovem permaneceu apenas em observação e, novamente, a internação foi negada.

“A família teve que contrair uma dívida para poder interná-la na rede privada e realizar os exames necessários”, afirma o tio.

Foi apenas na rede particular que os médicos constataram a presença de um cisto em um dos ovários. Devido à demora no atendimento adequado, o cisto rompeu, causando um sangramento interno que colocou em risco a integridade do órgão. A menina precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência na manhã de quarta-feira, 4, para evitar a perda do ovário.

Diante do desfecho, o familiar levanta questionamentos sobre os protocolos adotados pela rede pública: “Fica a dúvida sobre em que estado a pessoa precisa chegar para que decidam internar, ou quais critérios utilizam. Por que o médico não investigou a situação mais a fundo?”, desabafa o tio da menina. Ele diz que a família estuda entrar com ação judicial contra a UPA.

A adolescente recebeu alta médica e passa bem. CONTRAPONTO

O Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), responsável pela UPA de Canoinhas, respondeu ao questionamento do JMais por meio de nota e negou qualquer negligência. Leia na íntegra:

“O Ideas, responsável pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Orestes Golanowski, em Canoinhas, informa que a paciente mencionada foi atendida na unidade no dia 25 de fevereiro, acompanhada de sua responsável, apresentando queixa de dor abdominal.

Durante o atendimento, a paciente foi submetida à avaliação médica, exames laboratoriais e exame de imagem, além de receber medicação para controle da dor. A análise clínica e os exames realizados naquele momento não evidenciaram sinais de urgência cirúrgica ou critérios clínicos que indicassem necessidade imediata de internação, sendo a paciente liberada com orientações para acompanhamento.

Posteriormente, a paciente retornou à unidade com persistência das queixas, sendo novamente avaliada pela equipe médica. Diante do quadro apresentado, foi solicitada internação por meio do sistema estadual de regulação (SisReg), com encaminhamento para avaliação hospitalar.

Após avaliação pela unidade hospitalar de referência, não foram identificados, naquele momento, critérios clínicos para internação, sendo orientado o acompanhamento do caso conforme o fluxo de regulação do sistema de saúde.

A responsável pela paciente recebeu todas as orientações sobre o processo de encaminhamento e acompanhamento pelo sistema regulatório.

O Ideas reforça que todos os atendimentos realizados na unidade seguem protocolos assistenciais e critérios técnicos definidos pelas equipes médicas, garantindo a avaliação clínica adequada e a segurança dos pacientes.

A instituição permanece à disposição para eventuais esclarecimentos.“

O Município complementou afirmando que a paciente iniciou o atendimento pelo SUS, realizou todos os exames pela rede pública e quando teve critério para internamento optou por fazer pelo convênio que a família possuía.

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