O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita de Canoinhas, no Planalto Norte catarinense, sob suspeita de nepotismo. A ação foi movida após a exoneração de uma coordenadora pedagógica, esposa do secretário de Governo, Gestão e Relações Institucionais do município, Carlos Eduardo Vipievski. O órgão ministerial já havia emitido uma recomendação extrajudicial para suspender a nomeação, mas a servidora pediu para deixar o cargo apenas na segunda-feira (31), após o ajuizamento da ação.
Segundo o MPSC, a investigação apontou uma ligação familiar direta e uma hierarquia que configurariam nepotismo na nomeação da ex-coordenadora. O promotor de Justiça Marcos José Ferreira da Silva destacou que tentativas de descaracterizar a situação com argumentos formais não se sustentam diante da análise rigorosa da estrutura administrativa. Ele ressaltou que tais práticas afrontam os princípios da administração pública e abalam a confiança da sociedade nas instituições.
A apuração do MPSC indicou ainda que a nomeação para o cargo comissionado ocorreu logo após a servidora perder seu emprego em uma escola particular. O Ministério Público sugere que o interesse em amparar a esposa de um "afiliado político" pode ter sido a motivação real da prefeita para a contratação.
Além de solicitar a anulação definitiva da nomeação, o MPSC pediu a condenação da prefeita Juliana Maciel (PL) por dano moral coletivo. A prefeita, que renunciou ao cargo na noite de terça-feira (31) para se candidatar em 2026, argumenta através da prefeitura que a nomeação atende aos critérios permitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Súmula Vinculante nº 13 e na jurisprudência aplicável. A servidora exonerada, por sua vez, afirmou que pediu exoneração para preservar sua carreira de 18 anos na área da educação, destacando suas qualificações e formação.

